#Resenha | “Nu, de Botas” - Antonio Prata





Quem nunca passou pela vitrine de uma livraria e se apaixonou pela capa de um livro, não sabe o que é ser feliz! HAHAHA Foi mais ou menos assim que nasceu o meu amor por “Nu, de Botas”! A diferença é que ele não estava em prateleira nenhuma... achei ele bem lá no fundo, na sessão de livros nacionais e de cara me apaixonei por essa capa linda... acabei descobrindo que julgar o livro pela capa, as vezes, é a melhor opção!

Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância nesse livro. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram na Folha de S.Paulo, jornal em que Prata escreve semanalmente desde 2010.
As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da tevê, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas - toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em “Nu, De Botas”. O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular - cômico, misterioso, lírico, encantado.
Aos 36 anos, Prata é o cronista de maior destaque de sua geração e um dos maiores do país. São de sua lavra alguns bordões que já se tornaram populares - como “Meio Intelectual, Meio de Esquerda”, título de seu livro anterior e de um seus textos mais célebres -, bem como algumas das passagens mais bem-humoradas da novela global Avenida Brasil, em que atuou como colaborador de João Emanuel Carneiro. Prata também é um dos integrantes da edição “Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros”, da revista inglesa Granta.
Eu tinha acabado de ler Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?” do Philip K. Dick e queria uma coisa mais leve pra sair da ressaca literária, e por que não ler algo brasileiro!? Fui procurar alguma coisa nas prateleiras de livros nacionais e achei essa lindeza do Antonio Prata me esperando... impossível não escolher esse livro! Do Autor eu já sou tiete faz um tempo, e depois de ler essa sinopse que é quase uma resenha não tive duvidas de que tinha um tesouro nas mãos!
Pai e mão me beijavam, pagavam a luz: o mundo desaparecia. Como ter certeza de que voltaria a existir? De que os dois não sumiriam no breu? Que garantia tinha de que não seria levado pelos monstros que, vez ou outra, apareciam nos pesadelos?
O livro é um amontoado de cronicas, muito bem escritas e inspiradas na infância do autor, ele resgata lembranças das travessuras, as dúvidas, as descobertas e os dilemas da vida entre seus três e dez anos de idade! O Antonio de hoje conta essas coisas como se ainda enxergasse tudo do mesmo jeito, como se ele ainda estivesse vivendo tudo aquilo e narrando em tempo real!
O clima nostálgico criado pela narrativa é fascinante! É gostoso e estranho perceber como tudo mudou tão rápido e em tão pouco tempo, o autor lembra de coisas que são tão diferentes hoje em dia, coisas que eu, nascido no fim dos anos noventa, nunca pensei em experimentar! Um mundo completamente diferente, onde você saia pra brincar com as outras crianças na rua, onde o bullyng na escola era só mais uma brincadeira e não machucava ninguém, onde a criança se fazia um desbravador e descobria sozinha as respostas para as suas maiores dúvidas, sem video games, internet, smartphones e essa aparelhagem toda... um mundo onde bichos de estimação ganhavam velórios e todos os amigos do dono compareciam!
Ao chegar ao mundo, já o havia encontrado pronto, cabia a mim somente descobrir do que era feito e como funcionava, olhando em baixo dos vãos, levantando os tacos, cavoucando a terra entre os paralelepípedos.
Ler “Nu, de Botas” faz qualquer um querer voltar no tempo pra ser criança de novo! É impossível não se identificar com as lembranças do autor... e também é impossível não ter ataques de riso durante a leitura! Antonio Prata é genial, conseguiu reunir sua personalidade atual com a do menino que cresceu nos anos 70 e criou uma obra inocente, sincera e extremamente deliciosa! O livro tem essa simplicidade, essa leveza... é como se o autor estivesse ali contando umas histórias legais pra você...
O livro foi publicado pela Editora Companhia das Letras e custa em média R$25,00 nas livrarias por ai! Um beijo, um abraço e uma fungada no cangote de vocês, aproveitem seus livros!
RENAN RIBEIRO
Geminiano, quer ser escritor e jornalista, vive estudando e trabalhando mas sonha com o dia em que vai passar muito mais tempo criando romances sentado na varanda da casa de praia em algum lugar paradisiaco do Brasil, viciado em catuaba e cachorro quente, alguns dizem que ele não é uma boa companhia... clica aqui pra conhecer a equipe!
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